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Oleoturismo na aldeia histórica de Idanha-a-Velha

projeto de oleoturismo

Na aldeia histórica de Idanha-a-Velha, dois produtores de azeite estão a desenvolver um projeto de oleoturismo que tem na sua génese oliveiras milenares, duas delas com 1.620 e 1.030 anos.

Tiago Lourenço e Ricardo Araújo são dois lisboetas que possuem uma visão muito clara daquilo que pretendem: dar uma nova dinâmica a esta aldeia histórica.

“A ideia surgiu quando andava a podar as árvores da nossa quinta. Temos algumas árvores que estão aqui ao longo de séculos e milénios, a alimentar todas estas gerações e civilizações, desde os romanos, as invasões bárbaras, muçulmanos e período da reconquista. A árvore mais antiga que foi encontrada até agora tem 1.620 anos”, referiu Tiago Lourenço à Lusa.

Tiago Lourenço e Ricardo Araújo não têm qualquer ligação à Beira Baixa e a Idanha-a-Nova, onde se instalaram, porém, decidiram abandonar Lisboa, largando a vida da cidade e dedicando-se a uma nova aventura: a olivicultura. Atualmente, Tiago vive em Penha Garcia e Ricardo em Ladoeiro. Trabalham numa quinta com 180 hectares, em Idanha-a-Velha, onde criaram uma empresa ligada à olivicultura, a Real Idanha, que comercializa a marca de azeite biológico premium Egitânia.

A ideia que está na génese deste projeto de oleoturismo passa por contar a história de Idanha-a-Velha através das oliveiras milenárias e centenárias que estão plantadas na própria aldeia.

“Queremos também mostrar a importância da preservação do olival tradicional porque está ali a evidência de que tem sido uma base de toda a economia e sustentabilidade dos povos que aqui passaram”, sublinhou Tiago Lourenço.

O sistema de datação das oliveiras foi desenvolvido pela Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) e é dinamizado por uma empresa particular, a Oliveiras Milenares, parceira no projeto dos dois empresários. Para os dois empresários, este projeto de oleoturismo e a criação deste percurso dentro da aldeia histórica é mais uma forma de cativar as pessoas: “Acima de tudo, estamos centrados no desenvolvimento da região e com uma visão mais territorial. Em termos regionais, queremos dar relevo ao azeite da Beira Baixa e contribuir para o desenvolvimento da única biorregião do país”, frisou Tiago Lourenço.

O empresário realçou também que, da mesma forma que existe toda uma indústria turística ligada ao vinho, “há um grande potencial em replicar essa estrutura ligada à produção do azeite, ou seja, as quintas de azeite de alta qualidade podem perfeitamente ter o mesmo fascínio do que uma quinta vinícola”.

O projeto final engloba não só o percurso na aldeia, como também a visita a quintas, estadas ligadas ao oleoturismo e, por último, a interligação de Portugal com Espanha.

 

imagem: publico.pt