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Biscoito da Teixeira: o sabor da tradição

biscoito da teixeira

Esta semana o produto ‘cabeça de cabaz’ do nosso cabaz de frescos foi um produto muito pedido e apreciado que decidimos trazer de volta: O Biscoito da Teixeira. Ouvimos dizer que muitos dos nossos clientes dos cabazes de frescos estavam com saudades desta delícia que foi diversas vezes cabeça de cabaz com a Inovterra, associação nossa parceira que era responsável pela distribuição dos cabazes de frescos em Lisboa. A Inovterra nasceu em 2011 na região de Tarouca e é uma associação que promove o desenvolvimento local, a dinamização dos jovens, a sustentabilidade ambiental, a criação de valor na região sul do Douro e o aumento da taxa de ocupação para a população que queira regressar às origens.

Como comunicado por nós na nossa Newsletter (se ainda não subscreve, subscreva para ficar a par de todas as novidades), desde inícios de janeiro a equipa do SmartFarmer passou a ser responsável pela distribuição dos cabazes de frescos em Lisboa (que era feita pela Inovterra). Este Cabaz de ‘Frescos da Semana’ vem recheado de frutas e legumes selecionados com muito amor e carinho. Pode recebê-lo em casa ou levantá-lo num dos nossos pontos de entrega.

Para consultar a composição do cabaz ‘frescos da semana’ consulte este link: https://smartfarmer.pt/produto/cabaz-frescos-da-semana/

No seguimento da inclusão do ‘Biscoito da Teixeira’ nos nossos cabazes de frescos, a Equipa do SmartFarmer esteve à conversa com Bruno Cardoso, natural de Lamego e gerente da Associação Inovterra, para conhecer um pouco melhor este delicioso biscoito e a sua produtora. Bruno Cardoso respondeu desta forma às nossas questões:

Conta-nos um pouco da história do Biscoito da Teixeira.

O Biscoito da Teixeira é um biscoito de festas religiosas, ou seja, sempre que há romarias na região do Douro, há biscoito da Teixeira. Normalmente as bancas que vendem este biscoito posicionam-se à porta das igrejas e as pessoas que saem da igreja com fome, deparam-se logo com estas bancas com o biscoito para matarem a fome. Antigamente também era assim porque como este biscoito é um produto que não é muito elaborado, é um biscoito muito simples e por isso não é caro, toda a gente o podia comprar, ou seja, era uma coisa simples e barata que toda a gente que saia da igreja tinha possibilidade de comprar.

Existem duas variantes da receita deste biscoito, correto?

Correto, o Biscoito da Teixeira divide-se basicamente em duas variantes: A variante a sul do Douro, ou seja, principalmente em Lamego, onde o ingrediente dominante é o limão, e a variante a norte do Douro, principalmente na zona de Mesão Frio, onde o ingrediente dominante é a canela. Ou seja, temos a variante a sul do Douro e a variante a norte do Douro.

Porque é que a Inovterra inclui este produto nos seus cabazes de frescos?

O papel da Inovterra é não deixar morrer as tradições e o saber fazer local. Em Portugal temos produtos que são verdadeiramente fantásticos. Eu nasci em Lamego e conheço o biscoito da Teixeira desde que nasci. É um daqueles produtos que nos ficam no coração e que nunca mais nos esquecemos deles. Vá para onde for quero sempre fazer-me acompanhar dos produtos que são da minha infância e da minha terra e esta é uma característica muito típica do povo português. Nós portugueses temos uma grande ligação à nossa terra e procuramos sempre o que é nosso, o que nos recorda as nossas origens, principalmente quando estamos longe do nosso País. E é mesmo com esta ideia de apelar ao carinho que os portugueses têm pelas suas próprias marcas e pelo o que é nacional que a Inovterra aposta muito no conceito de preservação do local e de apoio aos pequenos agricultores e artesãos.

E quem é o produtor que vos fornece este biscoito?

A produtora é uma senhora que é uma das poucas pessoas que produz o biscoito da Teixeira em Lamego. É uma senhora que tem uma banquinha fixa na rua e quase todos os dias as pessoas vão passando e vão comprando. O biscoito que ela vende é produzido apenas por ela e pelo marido, é uma banca pequenina e é tudo muito caseiro. Os ingredientes são todos batidos à mão, os ovos são caseiros. Temos uma grande simpatia e carinho por esta produtora porque produz à antiga e todos os produtos que ela utiliza para a confecção deste biscoito são locais: desde os ovos à farinha que compra a pequenos agricultores.

Há por parte desta família um grande foco em manter a tradição e esta senhora tem um papel muito importante na zona, pois detém o poder de transmitir esta tradição às gerações mais novas. A receita que ela utiliza foi passada de geração em geração, foi a mãe que lhe passou a receita que ela utiliza e já vão na sétima geração de biscoiteiros. Espero que haja uma geração seguinte com vontade de seguir esta receita de forma a que esta não se perca.

É uma receita que pouca gente conhece?

Sim, é uma receita que pouca gente conhece e se nós neste momento tivermos 6 biscoiteiros em Portugal a produzir biscoito da Teixeira, é muito. As próprias pastelarias locais não produzem porque compram aos pequenos biscoiteiros.

O Biscoito da Teixeira: ‘Um pouco de História”

O Biscoito da Teixeira é um doce tradicional da região do Douro. A versão mais conhecida é a do concelho de Baião, com origem na freguesia de Teixeira, que pode ser encontrado com frequência em feiras e romarias. O mesmo sucede com o biscoito da Teixeira, mas com a receita e o saber fazer de Lamego.

São biscoitos diferentes, embora tenham o mesmo nome: o da zona de Baião é mais escuro, mais parecido com um bolo, já o da zona de Lamego é mais estaladiço e é mais branco. Há também o amarelo que leva ovos. A massa interior é branca, a textura é suave, pouco doce e domina o sabor a limão.

O formato dos dois biscoitos também é diferente, sendo o de Lamego retangular.  Ao contrário de muitos doces regionais, provenientes da doçaria conventual, os biscoitos da Teixeira têm origem em comunidades de escassos recursos, tendo em conta os poucos ingredientes, e, portanto, o biscoito branco é o mais tradicional. O amarelo surgiu depois e também é feito com açúcar, farinha e limão, mas leva ainda ovos e canela.

A receita passou de geração em geração, mas não está massificada, sendo que apenas algumas famílias conhecem o segredo. A textura, o sabor suave e o facto de se poder guardar durante algum tempo ajuda a que seja consumido em festas e romarias.