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Baixo Sabor, mais uma Bio-Região para Portugal?

Baixo Sabor

Baixo Sabor pretende certificar os quatro concelhos abrangidos numa bio-região de forma a manter a autenticidade do território.

A Associação de Municípios do Baixo Sabor deu no mês passado um passo firme para a certificação deste território como Bio-Região.

De forma a iniciar o processo de classificação deste território enquanto Bio-Região, que abrange os quatros concelhos que integram o Baixo Sabor: Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, vários peritos e autarcas visitaram esta localidade para dar a conhecer todo o seu potencial biológico e paisagístico.

Segundo o presidente da Associação de Municípios do Baixo Sabor (AMBS), Eduardo Tavares, o objetivo primário da certificação dos quatro concelhos abrangidos numa bio-região passa por manter a autenticidade deste território rural onde se mantêm “práticas agrícolas ancestrais” e “abundam bioprodutos” agrícolas.

“Este é o primeiro passo que se pretende firme para a constituição de uma Bio-Região no território do Baixo Sabor. É um processo que está no seu início. A equipa de trabalho que vai acompanhar toda a estratégia já está constituída para acompanhar uma região que tem mais de 7 mil hectares de agricultura biológica”, explicou à Lusa Eduardo Tavares.

Destacando as características próprias deste território, o também presidente da câmara de Alfândega da Fé, referiu: “Temos um território que se destaca pelas suas variedades culturais, pelas suas raças autóctones, produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP), onde existe um potencial para a criação de uma Bio-Região.”

A visita oficial de representantes da Rede Internacional das Bio-Regiões a este território constituiu um passo bastante importante para a AMBS.

“Visitei um território onde predominam as boas práticas agrícolas na produção de azeite, vinho ou cereais. Vi sobretudo uma boa comunidade agrícola que é a base de uma Bio-Região”, explicou, durante a visita a este território transmontano, o italiano Salvatori Basil, presidente da Rede Internacional das Bio-Regiões.

O responsável acredita que estão reunidas todas as condições para a criação de uma Bio-Região no Baixo Sabor, após a junção de esforços entre organismos públicos e produtores agrícolas.

“A criação de bio-regiões vai ajudar a evitar o abandono da terra, tornando estas áreas agrícolas mais atrativas”, vincou.

De acordo com a diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), Carla Alves, que também integrou a comitiva, “uma área geográfica, ao ser considerada uma Bio-Região, pretende promover uma gestão sustentável de determinado território.”

“Estes territórios vão promover práticas agrícolas onde impera a produção em modo biológico, numa altura em que se fala em agricultura sustentável. Para além dos 7.000 hectares de terrenos agrícolas a produzir em modo biológico, que representam 700 produtores, juntam-se mais de 30 explorações pecuárias”, frisou a DRAPN.

Para além da criação de um território com estas caraterísticas, o projeto turístico “Lagos do Sabor” prevê a criação de um ‘Eco-Resort’ flutuante, com unidades de alojamento e capacidade de navegação nos lagos, pontos de ancoragem em forma de flor de amendoeira com pequenas piscinas centrais, praias fluviais e ancoradouros, abrangendo os quatro municípios numa única gestão ao longo de 70 quilómetros de lagos.

Sublinhando a importância da logomarca para a promoção de um território e das atividades que nele se desenvolvem, Eduardo Tavares concretizou: “Entendemos que, ao possuirmos uma logomarca de bio-região nos Lagos do Sabor, será uma mais-valia para todas as nossas atividades complementares à agricultura ou à agroindústria. Por isso vamos lutar para conseguir certificar o território dos Lagos do Sabor com esta marca. Já houve reuniões com a ministra da Agricultura e com a diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, e vamos muito em breve fazer esta candidatura.”

As bio-regiões consistem em áreas geográficas onde agricultores, cidadãos, operadores turísticos, associações e o poder local estabelecem uma parceria para a gestão sustentável dos recursos locais, dando centralidade à produção e consumo alimentar de base agroecológica.

O movimento das bio-regiões nasceu em Itália, em 2004, e nos últimos anos passou fronteiras, rondado atualmente as 40 comunidades em todo o mundo. Em Portugal existem quatro bio-regiões: Idanha a Nova, Alto Tâmega, São Pedro do Sul e margem esquerda do rio Guadiana.